27 Agosto de 1995- Grande parte de mim morreu contigo avó.
29 de Agosto de 1995- Vi-te pela ultima vez...pedi-te que me levasses contigo, pedi tanto e tu não me escutavas mais.
Dói tanto, mas tanto...
Era noite, o meu bebe sorria no meu colo. A minha irmã (com 7 anos) veio na minha direcção e disse " A avó morreu". Respondi-lhe "Cala-te", virei-lhe as costas e segui noutra direcção. Atrás de mim ela dizia "É verdade, ligaram agora do hospital, a avó morreu". Continuei a fugir dela, queria recuar no tempo, não queria ouvi-la...não!
Não disse nada, não chorei, não acreditei. Deitei-me na cama e não conseguia dormir, estava tudo confuso. Não podia ser, quando acordasse tudo iria estar bem...Deixei que o meu marido adormecesse e cedi, deixei que as lágrimas rolassem quentes pelo rosto, chorei, chorei tanto...que não me lembro se cheguei a adormecer.
Juro, juro mesmo que na manha seguinte ainda pensava que se tinham enganado no hospital e que não tinha sido a minha avó...afinal, erros acontecem, qualquer pessoa se pode enganar, talvez fosse uma pessoa com o nome parecido com o da minha avó...não podia ser ela.
Aguardei até que a trouxessem. Entrei na igreja, de longe via-se que estava ali um corpo...aproximei-me, sim era a minha avo. Linda, serena, perfeita, sem qualquer expressão de dor ou sofrimento. Esperei, esperei que abrisse os olhos e sorrisse para mim...Toquei-lhe com a mão no rosto como que a fazer-lhe um carinho. Assustei-me, senti um arrepio pelo corpo todo. Assustei-me, a minha avó estava gelada. Não podia ser, a minha avó não gostava nada do frio, gostava de estar sempre quentinha...( oh avó, quis tanto por-lhe uma mantinha para a aquecer) eu queria a minha avó quentinha, ela estava tão fria...
E levaram-na de mim...eu não queria viver mais, não queria... Levaram-me tudo, não queria estar aqui sem a minha avó, senti-me tão perdida... Zanguei-me com ela por me ter deixado, depois zanguei-me com Deus por a ter levado, zanguei-me, e durante muito tempo zanguei-me comigo por ter deixado que ela fosse embora sem mim.
Mas tinha o meu bebe, que precisava ainda tanto de mim...e pedia todas as noites que o tempo passasse bem depressa para o meu filho crescer e eu poder ir encontrar a minha avó.
E durante, demasiado tempo, eu não a deixei partir!
E dói, ainda dói muito!
Ainda não entendo o porquê!...