B- "Desculpa. Estás a ter uma atitude infantil, sempre fui correta contigo e nunca te quis prejudicar. Nunca pensei que me tratasses assim, com indiferença, com desprezo...estou triste contigo!...Sou imperfeita, mas valorizo as pessoas, ainda acredito que todos precisamos uns dos outros. Ontem precisei de ti...amanha, podes contar comigo, vou estar aqui para o caso de precisares de um abraço. É pena!Podíamos ter terminado tudo de uma forma mais adulta como eu pensei que seria. Fica bem."
"Quem sou eu? Eu sou aquela que deixou a blusa branca pra vestir essa farda, o salto por uma bota de cano alto, deixei as unhas bem feitas para obter calos, deixei o cabelo escovado pra ter um rabo de cavalo empoeirado e muitas vezes molhado da chuva, deixei o ar condicionado de uma sala pelo sol escaldante em uma rodovia, o caminhar lento e silencioso de um escritório por uma viatura em alta velocidade e uma sirene que adentra ate os meus sonhos. Eu? Eu sou o forte sexo frágil, que se preparou fisicamente para levantar 2, 3 vezes o meu peso para te socorrer. Sou aquela que na maioria das ocorrências preciso me impor à falta de respeito de alguns homens que me substimam. Sou aquela que deixou em casa o meu filho para socorrer o teu, seja em um acidente, um engasgamento ou ate mesmo ajudá-lo a vir ao mundo dentro dessa viatura. Sim, sou eu. A mulher socorrista! Sou, aquela que teima em acostumar os braços frágeis, que a natureza ordenou que carregassem apenas o peso do próprio filho, a carregar estruturas grandes, aparelhos, macas, e planos duros, além do seu peso, meu paciente. Sou também aquela que adentra a sua residência quando por infelicidade seu ente querido entra em surto psicótico, ameaçando a própria vida, e eu com tamanha resignação vou acalma-lo. Sim, sou eu. Sou eu, a Mulher Socorrista, aquela que por amor ao resgate suporta o calor, o frio, os gritos, as agressões, desacatos, o próprio medo, por amor à sua vida...Sim, por amor à vida de alguém que acabei de conhecer."